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Uma Senhora Pediu Que Eu Fingisse Ser Seu Neto, Mas o Colar Dela Me Fez Ligar Para Minha Mãe

outubro 29, 2026
in AMIGA, FAMÍLIA
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Uma Senhora Pediu Que Eu Fingisse Ser Seu Neto, Mas o Colar Dela Me Fez Ligar Para Minha Mãe
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2. Parte 2 – A Casa do Portão Verde

  • 1. Parte 1 – O Pedido na Lanchonete
  • 2. Parte 2 – A Casa do Portão Verde
  • 3. Parte 3 – As Duas Rosas de Prata
  • 4. Parte 4 – A Carta Que Ninguém Escreveu
  • 5. Parte 5 – O Caminhão Diante do Portão
  • 6. Parte 6 – Uma Cadeira a Mais à Mesa

Eduardo puxou a cadeira para a senhora antes de fazer qualquer outra pergunta.
Ela se sentou devagar, com o andador encostado ao joelho, e ficou olhando para as próprias mãos.
O colar continuava preso entre seus dedos.

— Como a senhora se chama?

— Dalva Ferreira.

Eduardo repetiu o sobrenome em silêncio.
Não era o sobrenome de sua mãe, mas ele sabia que ela se chamava Matos depois de se casar com Antônio, seu pai.
O nome de solteira nunca tinha sido assunto frequente em casa.

— E onde sua filha morava quando comprou esses colares?

— Aqui perto, em Botucatu. Era moça ainda, trabalhava numa papelaria e juntou dinheiro durante meses.

A resposta pareceu arrancar uma lembrança de dentro dele.
Lúcia contava que, antes de se mudar para Sorocaba, trabalhara numa pequena papelaria do interior.
Ele conhecia a história das caixas de lápis coloridos que a mãe levava para casa, mas nunca perguntara em qual cidade ficava a loja.

— Posso telefonar para minha mãe?

Dalva assentiu depressa, embora parecesse temer a ligação.
Eduardo procurou o contato no celular e se afastou até a janela da lanchonete.
Lá fora, sua motocicleta brilhava sob o sol da tarde, indiferente àquela mudança repentina de rumo.

— Filho? Aconteceu alguma coisa na estrada? — Lúcia atendeu antes do terceiro toque.

— Estou bem. Preciso te perguntar uma coisa. Seu nome antes de casar era Lúcia Ferreira?

Houve uma pausa longa.
Eduardo ouviu um objeto ser colocado sobre uma superfície e, ao fundo, o som abafado de uma televisão.

— Por que você quer saber disso?

— Conheci uma senhora chamada Dalva Ferreira. Ela tem um colar igual ao seu, com uma rosa gravada atrás.

A respiração da mãe mudou.
Quando voltou a falar, parecia estar escolhendo as palavras para não se ferir com elas.

— Onde você está, Eduardo?

Ele disse o nome da lanchonete e a rodovia.
Lúcia pediu que não fosse embora e afirmou que sairia de Sorocaba imediatamente.
Antes de desligar, fez uma pergunta que nunca havia feito ao filho.

— Ela está viva mesmo?

Eduardo voltou à mesa sem saber como responder ao que aquela pergunta significava.
Dalva havia pedido um neto emprestado por um dia.
Agora existia a possibilidade de ter encontrado o próprio neto, mas ele não queria transformar esperança em certeza antes de ouvir as duas mulheres.

— Minha mãe está vindo — explicou.

Dalva cobriu a boca com a mão.
Por um instante, pareceu mais assustada do que feliz.

— Ela ainda usa o colar?

— Usa nos domingos. Diz que é a única coisa que não perdeu nas mudanças.

Os olhos da senhora se encheram novamente.
Ela virou o pingente para mostrar uma risca quase invisível perto da borda.

— O meu caiu no chão no dia em que ela partiu. Lúcia tentou consertar, mas eu mandei deixar como estava.

Eduardo queria perguntar por que aquela mãe e aquela filha tinham passado tanto tempo separadas.
No entanto, Dalva olhava repetidamente para o relógio da parede.
O medo do despejo não desaparecera com a descoberta.

— O proprietário disse que vinha hoje às quatro — contou. — Quer que eu assine um papel e entregue a chave até sexta-feira.

— A senhora já recebeu alguma decisão da Justiça?

— Não. Só bilhetes no portão e telefonemas. Pago aluguel todo mês, mas ele diz que está cansado de esperar.

Eduardo observou o andador e a bolsa gasta.
Não era uma discussão que se resolveria fazendo um rapaz parecer valente diante de um dono de imóvel.
Ele precisava saber o que realmente estava sendo exigido.

— Vamos conversar sem inventar parentesco por enquanto. Se sua casa está em risco, precisamos entender os papéis primeiro.

Dalva tentou sorrir.

— Você prometeu ser meu neto.

— Prometi ficar ao seu lado. Isso eu posso cumprir sem mentir.

A garçonete, Márcia, que ouvira parte da conversa ao levar um café, aproximou-se com discrição.
Ela conhecia Dalva como cliente de longa data e ofereceu guardar a motocicleta no estacionamento até Eduardo voltar.
Também chamou um táxi que pudesse levar o andador no porta-malas.

A casa ficava a pouco mais de quinze minutos dali, numa rua antiga de Botucatu.
Era pequena, com paredes amarelas, um portão verde e vasos de manjericão na varanda.
O lugar não parecia luxuoso, mas havia cortinas limpas nas janelas e uma cadeira de balanço perto da porta.
Dalva pediu desculpas pela desordem antes mesmo de entrar.

— Não vejo desordem nenhuma — respondeu Eduardo.

Ele encontrou numa gaveta uma pasta transparente com recibos de aluguel, anotações de manutenção e cópias de um contrato antigo.
As datas mostravam que Dalva morava ali havia muitos anos.
A maioria dos recibos tinha sido guardada em ordem, apesar de alguns estarem quase apagados.

— Foi dona Beatriz quem alugou a casa para mim — explicou Dalva. — Quando ela morreu, o sobrinho assumiu tudo.

O sobrinho se chamava Tadeu Nogueira.
Segundo Dalva, tinha começado a falar em vender o imóvel no mês anterior.
Ela não contestava o direito dele de cuidar do patrimônio, mas pedia tempo para encontrar um lugar seguro.
Ele respondia que pessoas sozinhas não podiam impor condições.

Eduardo fotografou os bilhetes com autorização dela.
Nenhum apresentava uma ordem judicial; um deles trazia apenas a frase escrita à mão: «Sexta-feira, sem falta».

Enquanto organizava os documentos, ouviu um carro parar diante do portão.
Dalva reconheceu o barulho do motor antes de ver quem chegava.
Seu rosto perdeu a cor.

Tadeu entrou pelo caminho de pedras sem esperar que abrissem a porta da sala.
Era um homem de camisa bem passada e uma pasta preta sob o braço.
Ao encontrar Eduardo ao lado da mesa, franziu a testa.

— Quem é você?

Eduardo se ergueu, sem levantar a voz.

— Alguém que vai acompanhar a dona Dalva nesta conversa.

Tadeu colocou uma folha sobre a mesa.
No topo, em letras grandes, estava escrito «Entrega voluntária do imóvel».
O espaço destinado à assinatura já vinha marcado com uma seta vermelha.

— Cheguei para resolver isso — disse ele. — Assina hoje ou vai ficar pior.

Dalva recuou um passo.
Eduardo pegou a folha, mas não a entregou à senhora.
Foi então que percebeu uma observação no rodapé: a assinatura significaria que ela deixava a casa no dia seguinte, e não na sexta-feira anunciada.

— Dona Dalva, a senhora sabia que essa data mudou?

Ela balançou a cabeça.
Tadeu estendeu a mão, impaciente, para recuperar o papel.
Eduardo o manteve sobre a mesa, à vista de todos.

O primeiro perigo daquela tarde não era descobrir quem havia separado uma família.
Era impedir que uma mulher assustada assinasse um documento que não compreendia.

Para descobrir como Eduardo enfrentaria a exigência de Tadeu sem abandonar a busca pela mãe de Dalva, continue na Parte 3.

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2. Parte 2 – A Casa do Portão Verde

  • 1. Parte 1 – O Pedido na Lanchonete
  • 2. Parte 2 – A Casa do Portão Verde
  • 3. Parte 3 – As Duas Rosas de Prata
  • 4. Parte 4 – A Carta Que Ninguém Escreveu
  • 5. Parte 5 – O Caminhão Diante do Portão
  • 6. Parte 6 – Uma Cadeira a Mais à Mesa
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